Entenda como identificar e contestar judicialmente cláusulas abusivas em contratos de alienação fiduciária e a defesa na ação de busca e apreensão de veículos.
Cláusulas Abusivas em Alienação Fiduciária: Defesa na Busca e Apreensão 2025
A posse de um veículo financiado por meio de alienação fiduciária é uma realidade comum para milhões de brasileiros. Contudo, a ameaça de uma ação de busca e apreensão se torna um grande receio quando há inadimplência. Mais preocupante ainda é a situação em que essa inadimplência é, em parte, provocada pela inclusão de cláusulas abusivas nos contratos, desvirtuando o real valor devido. Este cenário complexo exige do consumidor conhecimento e proatividade. Em 2025, a informação sobre como identificar e combater judicialmente essas práticas abusivas é mais relevante do que nunca, servindo como uma linha de defesa crucial para proprietários de veículos que buscam proteger seus direitos e patrimônio frente a demandas muitas vezes ilegítimas.
O que são Cláusulas Abusivas em Contratos de Alienação Fiduciária?
Cláusulas abusivas são disposições contratuais que, por sua natureza ou por sua aplicação prática, geram um desequilíbrio manifesto na relação entre o consumidor e a instituição financeira. Elas são caracterizadas por colocar o consumidor em uma desvantagem exagerada, incompatível com a boa-fé objetiva e a equidade que devem reger as relações de consumo. Na alienação fiduciária, frequentemente, elas se manifestam de diversas formas. Exemplos comuns incluem a cobrança de juros remuneratórios muito acima da média praticada pelo mercado para operações similares, a imposição de taxas e tarifas não previstas ou vedadas pela regulamentação do Banco Central do Brasil, e a inclusão de serviços acessórios não solicitados ou sequer prestados, como seguros e pacotes de serviços bancários. O Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seus artigos 39, 47 e, principalmente, 51, oferece a base legal para a anulação dessas cláusulas, protegendo o consumidor de imposições que violam seu direito a um contrato justo e transparente. Tais práticas não apenas aumentam indevidamente o custo do financiamento, mas podem também artificialmente inflar o saldo devedor, levando a uma situação de inadimplência que, na verdade, é gerada por cobranças ilegítimas.
Como Identificar uma Cláusula Abusiva?
A identificação de uma cláusula abusiva em um contrato de alienação fiduciária requer uma análise cuidadosa, que muitas vezes exige o auxílio de um profissional. O primeiro passo é comparar as taxas de juros remuneratórios (aquelas que “pagam” pelo uso do dinheiro) aplicadas no seu contrato com as taxas médias divulgadas periodicamente pelo Banco Central do Brasil para a modalidade de crédito e o período em que o contrato foi firmado. Uma diferença significativa pode indicar juros abusivos. Em seguida, é crucial examinar a discriminação das tarifas e encargos. Muitas instituições financeiras inserem cobranças como “taxa de abertura de crédito” (TAC) ou “tarifa de emissão de carnê” (TEC) que, após decisões judiciais e normativas do Banco Central, são consideradas ilegais se cobradas após a vigência de certas regulamentações ou sem a devida contraprestação. A verificação da capitalização de juros – a cobrança de juros sobre juros – também é essencial. Embora permitida em certas condições para contratos bancários, deve estar expressamente pactuada e em conformidade com a legislação específica. Outro ponto é a cláusula de venda casada, onde a contratação do financiamento é condicionada à aquisição de outro produto ou serviço, o que é proibido pelo CDC. A falta de clareza, a redação ambígua ou a apresentação de informações de forma a dificultar a compreensão do consumidor são igualmente fortes indícios de abusividade, violando o princípio da transparência contratual.
Efeitos Jurídicos das Cláusulas Abusivas na Ação de Busca e Apreensão
A comprovação da existência de cláusulas abusivas em um contrato de alienação fiduciária pode gerar consequências jurídicas significativas para a ação de busca e apreensão de veículo. O efeito mais relevante é a potencial descaracterização da mora do devedor. A busca e apreensão tem como pressuposto essencial a constituição do devedor em mora, ou seja, a comprovação de que ele efetivamente deixou de pagar as parcelas devidas de forma legítima. Se o valor da dívida foi artificialmente inflado por cobranças indevidas ou juros abusivos, o valor real devido pode ser substancialmente menor, ou até mesmo inexistente. Nesses casos, a mora do consumidor não é considerada “pura” ou legítima. Assim, a medida liminar de busca e apreensão, que permite a imediata retirada do veículo, pode ser suspensa ou até mesmo revogada pelo juiz. A revisão do contrato para excluir as abusividades pode levar à diminuição do saldo devedor, alterando fundamentalmente a base da ação. Em algumas situações, a descaracterização da mora pode inviabilizar completamente a busca e apreensão, obrigando a instituição financeira a renegociar o débito com base nos valores corretos. Isso garante que a apreensão do bem só ocorra quando houver uma inadimplência real e comprovada, e não em decorrência de práticas contratuais ilegais.
Como Contestar Judicialmente Cláusulas Abusivas?
A contestação judicial de cláusulas abusivas é um caminho legal legítimo para o consumidor que se sente lesado. Existem diversas abordagens possíveis. Se o banco já ingressou com a ação de busca e apreensão, o consumidor deve apresentar sua defesa no prazo legal, alegando a abusividade das cláusulas e solicitando a revisão do contrato. Dentro dessa mesma ação, é possível, e muitas vezes recomendável, pedir uma perícia contábil. Esta perícia terá o papel de recalcular o saldo devedor, expurgando os juros e taxas indevidas e revelando o valor real da dívida. Se a abusividade for clara e evidente, é possível pleitear uma tutela de urgência (liminar) para suspender a busca e apreensão, ou para permitir que o consumidor permaneça na posse do veículo até o julgamento final da ação revisional. Alternativamente, o consumidor pode ingressar com uma ação revisional autônoma antes mesmo da busca e apreensão, buscando a anulação ou modificação das cláusulas ilegais e o reequilíbrio do contrato. Em caso de pagamento indevido decorrente das cláusulas abusivas, o artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor prevê a possibilidade de restituição em dobro dos valores pagos a mais, devidamente corrigidos. A escolha da estratégia processual mais adequada dependerá da situação específica de cada caso e da análise de um profissional do direito.
Quais os Direitos do Consumidor Diante de uma Busca e Apreensão Motivada por Abusividades?
Diante de uma busca e apreensão que se presume motivada por abusividades contratuais, o consumidor não está desamparado e possui um rol de direitos importantes. Em primeiro lugar, ele tem o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório, garantido pela Constituição Federal, que lhe permite questionar judicialmente o contrato, as cobranças e a própria validade da ação de busca e apreensão. O direito à informação clara e adequada sobre os produtos e serviços, previsto no CDC, é violado quando há cláusulas obscuras ou abusivas. O consumidor tem o direito de solicitar a revisão judicial das cláusulas contratuais que o colocam em desvantagem exagerada, buscando o reequilíbrio econômico-financeiro do financiamento. Caso o veículo seja indevidamente apreendido por conta de uma mora descaracterizada, o consumidor pode ter direito à sua restituição imediata, bem como à indenização por eventuais perdas e danos sofridos pela privação do uso do bem. A restituição dos valores pagos a maior, em decorrência de juros ou tarifas abusivas, é outro direito assegurado, podendo ser pleiteada até mesmo em dobro. Para exercer esses direitos de forma efetiva, é imperativo que o consumidor reúna toda a documentação pertinente – o contrato de financiamento, extratos de pagamento e correspondências – e, sobretudo, que busque o aconselhamento de um advogado especializado em direito bancário. O conhecimento e a defesa ativa desses direitos são essenciais para proteger o patrimônio e evitar prejuízos maiores.
A busca e apreensão de veículos é uma medida legal drástica que, embora legítima em caso de inadimplência pura, pode ser questionada e até impedida quando o débito é inflado por cláusulas abusivas em contratos de alienação fiduciária. A defesa do consumidor contra essas práticas é um pilar do Direito Bancário moderno, alicerçado nas diretrizes do Código de Defesa do Consumidor. A capacidade de identificar, analisar e contestar juridicamente juros excessivos, tarifas indevidas e outras cláusulas desproporcionais é um diferencial crucial. Não se trata apenas de evitar a perda de um bem, mas de garantir a transparência e a justiça nas relações contratuais. Estar devidamente informado e agir preventivamente ou reativamente, com o suporte jurídico adequado, são passos determinantes para proteger seus direitos e seu patrimônio diante de cenários de busca e apreensão.
Para orientações específicas, fale com um advogado especializado.







